Da Heteronomia ao Ser-Práxico

Como o Espírito do Grupo (EG©) transforma a sala de aula

O ensaio “Da heteronomia ao Ser-Práxico” surge como um contraponto conceptual e metodológico direto à perspetiva apresentada por Alberto Veronesi. Enquanto o diretor escolar foca o diagnóstico na falha legislativa e na necessidade de coerção externa, este texto desloca o eixo do debate da disciplina imposta (heteronomia) para a autoridade construída pela autorregulação (Autonomia).


Porque a autoridade pedagógica não se impõe: constrói-se através do Espírito do Grupo (EG©).

A recente reflexão de Alberto Veronesi sobre o enfraquecimento da autoridade pedagógica descreve, com enorme lucidez, aquilo que muitos professores vivem diariamente: uma escola onde o excesso de burocracia substituiu a confiança no professor e onde a gestão disciplinar se aproxima demasiadas vezes de um pequeno tribunal administrativo.

  • Alberto Veronesi. A escola como tribunal: como o Estatuto do Aluno cria impunidade e mata a autoridade pedagógica. Diretor escolar e professor do 1.º Ciclo. 4 de março de 2026. LINK; PDF

É difícil discordar do diagnóstico quando cada intervenção disciplinar implica relatórios, notificações e procedimentos sucessivos, a energia do professor deixa de ser investida na aprendizagem para ser consumida pela administração do conflito.

Mas talvez exista uma questão ainda mais importante. Mesmo que amanhã o Estatuto do Aluno fosse profundamente alterado, será que isso resolveria o problema?

Provavelmente não!… Porque a verdadeira autoridade pedagógica nunca depende exclusivamente da lei. Depende, sobretudo, da qualidade da arquitetura pedagógica que o professor consegue construir dentro da sala de aula. É precisamente aqui que nasce uma das opções estruturantes do Modelo Pedagógico da Motricidade Humana (MPMH©).


A autoridade não nasce do controlo

Durante décadas acreditámos que disciplinar significava controlar:

  • Controlar comportamentos.
  • Controlar tempos.
  • Controlar movimentos.
  • Controlar silêncio.

No entanto, quanto maior é a necessidade de controlo externo, menor é, normalmente, a capacidade de autorregulação interna do grupo.

Existe um paradoxo frequentemente ignorado: A verdadeira autoridade do professor aumenta quando a turma aprende a precisar cada vez menos da sua intervenção disciplinar. Não porque o professor desaparece, mas porque o grupo cresce. É esta passagem que distingue uma turma funcional de uma verdadeira comunidade de aprendizagem.

Conciliar estas duas perspetivas exige compreender que a autoridade pedagógica e a autonomia do aluno não são forças opostas, mas etapas complementares do desenvolvimento humano. O alerta de Alberto Veronesi para a necessidade de regras claras e de consequências educativas perante a indisciplina não representa um regresso ao autoritarismo, mas o reconhecimento de uma condição indispensável: nenhuma comunidade educativa pode florescer sem uma estrutura ética que a sustente. A heteronomia constitui, assim, o ponto de partida. Quando o grupo ainda não possui capacidade para se autorregular, cabe ao professor e à escola estabelecer limites firmes, justos e coerentes que protejam o direito de todos à aprendizagem.

Contudo, a finalidade da autoridade não é perpetuar a dependência do controlo externo, mas torná-la progressivamente desnecessária. É precisamente neste ponto que o MPMH© introduz o Espírito do Grupo (EG©) e o Círculo de Espírito da Turma (CET©). Através da reflexão cooperativa, da literacia emocional e da corresponsabilização ética, os alunos aprendem a regular os seus comportamentos, a compreender o impacto das suas ações nos outros e a assumir compromissos coletivos. A autoridade do professor deixa, então, de assentar predominantemente na imposição da norma e passa a manifestar-se na construção de uma comunidade capaz de se autorregular.

A verdadeira autoridade pedagógica mede-se, por isso, não pelo número de sanções aplicadas, mas pela capacidade de conduzir a turma da heteronomia à autonomia. Quando isso acontece, a sala de aula deixa de ser um conjunto de individualidades dependentes do controlo do adulto para se tornar uma comunidade moral de aprendizagem, onde cada aluno evolui em direção ao Ser-Práxico.


O que o Ultimate Frisbee ensina à Educação Física.

A – Autorregulação, cooperação, responsabilidade moral e comunicação.

O MPMH© encontrou uma inspiração particularmente interessante numa modalidade praticamente desconhecida da maioria das escolas: o Ultimate Frisbee. Ao contrário da maioria dos desportos coletivos, o Ultimate não possui árbitros. Toda a competição assenta num princípio designado por Spirit of the Game (SOTG).

Os próprios jogadores assumem a responsabilidade por:

  • Interpretar as regras.
  • Reconhecer as próprias faltas.
  • Resolver conflitos.
  • Preservar o respeito mútuo.
  • Proteger a justiça do jogo.

Esta característica transformou o Ultimate num enorme laboratório internacional de desenvolvimento moral. Os estudos conduzidos por Amoroso mostram precisamente que esta filosofia produz ganhos significativos ao nível da consciência social, da empatia, da responsabilidade e da qualidade das interações entre praticantes. O mais interessante é que estes resultados não dependem da modalidade em si. Dependem da arquitetura relacional criada pelo Spirit of the Game.

  • José Pedro Amoroso e colaboradores. The Benefits of Ultimate and Disc Sports for Physical and Social Development in Portuguese Schools. Motricidade, 2025, vol. 21, e39516: PDF
  • José Pedro Amoroso e colaboradores. Teamwork, Spirit of the Game and Communication: A Review of Implications from Sociological Constructs for Research and Practice in Ultimate Frisbee Games. Soc. Sci. 2021, 10, 300. PDF

Os estudos de José Pedro Amoroso e colaboradores demonstram que o Spirit of the Game constitui muito mais do que um princípio regulamentar do Ultimate Frisbee: representa uma verdadeira cultura de autorregulação assente na responsabilidade, na comunicação, na cooperação e no respeito mútuo. No estudo realizado com 454 professores de Educação Física portugueses, 40,3% dos docentes que utilizam Ultimate identificam precisamente o Spirit of the Game e a autoarbitragem como uma das principais razões para integrarem esta modalidade nas suas aulas, reconhecendo o seu potencial para desenvolver a autorregulação das crianças e jovens. Complementarmente, a revisão sistemática de nove estudos qualitativos explica os mecanismos que sustentam estes benefícios, identificando como categorias centrais o trabalho em equipa e as competências sociais (Teamwork/Social Skills), o Spirit of the Game e a comunicação. A autoarbitragem, a resolução dialogada dos conflitos e a responsabilidade partilhada transformam os praticantes em agentes ativos da justiça e da convivência, favorecendo o desenvolvimento da autonomia, da consciência moral, da empatia e da corresponsabilização. Neste contexto, o Ultimate Frisbee assume as características de uma verdadeira comunidade moral, sustentada por normas éticas interiorizadas pelos próprios jogadores e por uma cultura de diálogo e responsabilidade que ultrapassa largamente o domínio da competência motora.

Os dois estudos complementam-se. Enquanto o estudo realizado com professores portugueses demonstra que o Spirit of the Game constitui uma das principais razões para a utilização do Ultimate na Educação Física, a revisão sistemática explica porquê, identificando os mecanismos sociais que sustentam esses benefícios.

Foi precisamente esta arquitetura social da aprendizagem que o MPMH© transpôs para a Educação Física escolar, adaptando os princípios do Spirit of the Game ao Espírito do Grupo (EG©) e ao Círculo de Espírito da Turma (CET©). A inovação não reside na utilização do Ultimate Frisbee enquanto modalidade, mas na transformação dos seus mecanismos de autorregulação, comunicação e corresponsabilização num dispositivo pedagógico aplicável a qualquer conteúdo da Educação Física.

Através da autoarbitragem e da responsabilidade partilhada, o Ultimate deixa de ser apenas um jogo para se constituir como uma verdadeira comunidade moral. É precisamente esta ideia de comunidade moral que o MPMH© procura reconstruir na sala de aula através do Espírito do Grupo e do Círculo de Espírito da Turma.

Mas em que consiste, afinal, essa arquitetura relacional? A resposta encontra-se no mapa conceptual construído por Amoroso e colaboradores, que sintetiza as ligações entre as principais categorias emergentes da revisão sistemática.


B – Ecossistema Social de Aprendizagem (Comunidade Moral):


Um dos resultados mais relevantes da revisão sistemática de Amoroso e colaboradores é demonstrar que o Ultimate Frisbee não se organiza em torno da competição, mas sim em torno de um verdadeiro ecossistema social de aprendizagem. O mapa conceptual construído pelos autores revela que as três categorias centrais da modalidade são o trabalho em equipa e as competências sociais (Teamwork/Social Skills), o Espírito do Jogo (Spirit of the Game) e a comunicação (Communication), sendo estas as dimensões que concentram o maior número de interligações entre todas as categorias analisadas.

Esta configuração permite retirar várias conclusões pedagógicas:

Em primeiro lugar:

  • O Spirit of the Game não constitui um princípio isolado nem um simples código de conduta; emerge da interação permanente entre comunicação, cooperação e competências sociais. O comportamento ético não resulta da imposição externa de regras, mas da qualidade das relações estabelecidas entre os praticantes.

Em segundo lugar:

  • A forte associação entre Rules/Self-refereeing e Spirit of the Game evidencia que a responsabilização dos jogadores pela aplicação das regras potencia o desenvolvimento da autorregulação e do sentido de justiça. A autoarbitragem deixa de ser apenas um mecanismo de arbitragem para se tornar um poderoso instrumento educativo.

A análise mostra igualmente que a comunicação ocupa uma posição absolutamente central neste ecossistema. A sua estreita ligação ao Spirit of the Game demonstra que os conflitos não são evitados nem reprimidos; são enfrentados e resolvidos através do diálogo. Paralelamente, a forte relação entre comunicação e trabalho em equipa confirma que não existe verdadeira cooperação sem espaços estruturados de escuta, reflexão e construção coletiva.

Talvez o dado mais surpreendente seja o posicionamento da própria competição. Embora continue presente e valorizada, surge relativamente periférica quando comparada com a densidade das relações estabelecidas entre comunicação, trabalho em equipa e Espírito do Jogo. Em vez de colocar a competição no centro da experiência desportiva, o Ultimate coloca a qualidade das relações humanas no centro do processo. A excelência competitiva deixa, assim, de ser incompatível com a cooperação, a responsabilidade e o respeito mútuo, demonstrando que é possível competir intensamente sem abdicar da ética, da comunicação e da construção de uma verdadeira comunidade de aprendizagem.


Do Processamento Grupal ao Espírito do Grupo

O Processamento Grupal (Group Processing) é um dos cinco elementos essenciais da Aprendizagem Cooperativa, definidos por David W. Johnson e Roger T. Johnson. É, provavelmente, o elemento que mais se aproxima do Espírito do Grupo (EG©) proposto no MPMH©.

O que é?

O processamento grupal consiste num momento estruturado de reflexão coletiva, realizado no final de uma tarefa ou aula, durante o qual os membros do grupo analisam a forma como trabalharam em conjunto.

O objetivo não é avaliar apenas o produto final, mas sobretudo melhorar o funcionamento do grupo.

Os Johnson definem-no como um processo através do qual o grupo:

  • Identifica os comportamentos que favoreceram o sucesso;
  • Reconhece os comportamentos que dificultaram o trabalho;
  • Decide quais os comportamentos que deve manter;
  • Estabelece melhorias para a tarefa seguinte.

Em síntese:

O grupo aprende a aprender sobre o seu próprio funcionamento.



O Espírito do Grupo (EG©) inspira-se neste princípio, mas amplia significativamente o seu alcance. A reflexão deixa de incidir apenas sobre a eficácia da cooperação para integrar também dimensões éticas, emocionais e práxicas. O grupo não analisa apenas se trabalhou bem; questiona igualmente se foi inclusivo, se soube gerir os conflitos de forma construtiva, se todos tiveram oportunidade de participar, que emoções emergiram durante a atividade e de que forma essas emoções influenciaram o comportamento coletivo. A integração do Mood Meter™ e da Flor das Emoções de Plutchik permite transformar a reflexão espontânea num verdadeiro processo de literacia emocional e autorregulação.

O Círculo de Espírito da Turma (CET©) constitui um segundo nível deste processo reflexivo. Enquanto o EG© promove o processamento interno de cada pequeno grupo cooperativo, o CET© transporta essa reflexão para a comunidade-turma. Num espaço de diálogo seguro e estruturado, os grupos partilham experiências, reconhecem dificuldades, valorizam comportamentos positivos e constroem compromissos coletivos para as aulas seguintes. Desta forma, a autorregulação deixa de ser apenas uma responsabilidade de cada grupo e transforma-se numa cultura partilhada por toda a turma.

Assim, o MPMH© não substitui o conceito clássico de Processamento Grupal; antes o desenvolve e expande. Inspirado pelo Spirit of the Game do Ultimate Frisbee, transforma um dispositivo de avaliação cooperativa num instrumento de desenvolvimento sociomoral, literacia emocional e construção da autoridade pedagógica. O resultado é uma arquitetura pedagógica que favorece a passagem da heterorregulação para a autorregulação e da simples cooperação para o desenvolvimento do Ser-Práxico.



Características dos Grupos Cooperativos:

  • Interdependência positiva:
    • De objetivos.
    • De tarefas.
    • De recursos.
    • De identidade.
    • De papeis.
    • De recompensas ou celebrações.
  • Responsabilidade individual e de grupo.
  • Competências interpessoais e de pequeno grupo.
  • Interação estimuladora preferencialmente face a face.
  • Avaliação grupal ou reflexão sobre o trabalho realizado pelo grupo.

O Ultimate não ensina apenas um jogo; ensina uma forma de organizar as relações humanas. O MPMH© não importa o jogo para a escola; importa essa forma de organizar as relações e transforma-a numa arquitetura pedagógica para a Educação Física. Este é precisamente o princípio que inspira o Espírito do Grupo (EG©) e o Círculo de Espírito da Turma (CET©) no MPMH©: transportar para a sala de aula um ecossistema onde a comunicação, a corresponsabilização e a autorregulação substituem progressivamente o controlo externo, conduzindo a turma da heteronomia à autonomia e ao desenvolvimento do Ser-Práxico.


Da autoarbitragem à autorregulação pedagógica

Naturalmente, uma turma não é um jogo de Ultimate, mas pode funcionar segundo princípios semelhantes. No MPMH©, cada grupo cooperativo deixa de ser apenas um conjunto de alunos e passa a constituir uma pequena comunidade responsável pelo seu próprio funcionamento.

Cada elemento assume uma missão específica.

  • Capitão de Espírito: não lidera pela competência motora, lidera pela capacidade de ouvir, mediar conflitos, facilitar o diálogo e preservar o clima ético do grupo.
  • Gestor da Qualidade: ajuda o grupo a pensar, questiona, clarifica e promove concentração, rigor e pensamento crítico.
  • Porta-Voz e Gestor do Tempo: coordena a organização do trabalho, ajuda o grupo a cumprir objetivos e representa coletivamente o grupo perante a turma.
  • Gestor da Motivação: é o guardião da inclusão, estimula os colegas, mantém elevados níveis de energia e procura integrar quem tende a ficar na periferia da participação.

Nenhum destes papéis existe para aliviar trabalho ao professor, existem para aumentar a responsabilidade dos próprios alunos.


O Espírito do Grupo (EG©)

Esta filosofia ganha expressão através do dispositivo Espírito do Grupo (EG©). No final de cada aula, cada grupo analisa a qualidade da sua própria convivência. Não avalia apenas se executou corretamente um exercício. Avalia a forma como existiu enquanto coletivo.

Perguntas como estas passam a fazer parte da rotina:

  • Escutámos verdadeiramente uns aos outros?
  • Incluímos todos?
  • Gerimos bem os conflitos?
  • Mantivemos o compromisso com as metas?
  • Conseguimos regular as nossas emoções?

A classificação atribuída pelo grupo não é um mecanismo punitivo, é um exercício de consciência.

Pouco a pouco, os alunos deixam de perguntar: “Professor, quanto tive?”, e começam a perguntar: “Como funcionámos hoje enquanto grupo?”. Esta mudança representa uma transformação pedagógica profunda e está no centro do dispositivo EG© descrito no anteprojeto de experimentação pedagógica.


O Círculo de Espírito da Turma (CET©)

Antes da reflexão privada (EG©) acontece outro momento essencial, o Círculo de Espírito da Turma (CET©). Toda a turma interrompe a atividade física, forma um círculo e fala:

  • Os conflitos deixam de ser tratados nos corredores.
  • Os elogios deixam de ficar por dizer.
  • As dificuldades deixam de permanecer invisíveis.
  • O grupo aprende que errar não constitui um motivo de vergonha, constitui informação útil para melhorar.

O professor continua presente, mas deixa de monopolizar a palavra, passando a facilitar processos de reflexão coletiva.


Sem literacia emocional não existe autorregulação

Naturalmente, pedir aos alunos que reflitam sobre emoções não basta, é necessário oferecer linguagem. É por isso que o MPMH© integra duas ferramentas científicas amplamente reconhecidas.

  • O Mood Meter™, permitindo identificar simultaneamente a intensidade da energia e a valência emocional.
  • E o Modelo Circumplexo de Plutchik™, que fornece um vocabulário rico para nomear emoções frequentemente confundidas entre si.


  • Carolin Hagelskamp e col. Improving Classroom Quality with RULER Approach to Social and Emotional Learning: Proximal and Distal Outcomes. A. J. Community Psychol. 27 feb. 2013: PDF
  • Marc A. Brackett e col. Enhancing academic performance and social and emotional competence with the RULER feeling words curriculum. Learning and individual Differences 22 (2012) 218-224: PDF

De repente, um conflito deixa de ser descrito apenas como: “Fiquei chateado.”

Passa a ser compreendido como:

  • Frustração;
  • Ansiedade;
  • Desapontamento;
  • Vergonha;
  • Irritação;
  • Medo;
  • Entusiasmo;
  • Orgulho.

Quando um aluno aprende a nomear uma emoção, aumenta significativamente a probabilidade de conseguir regulá-la e a emoção deixa de comandar o comportamento, passa a informar a ação.



Da aula de entretenimento à aula de transformação

Talvez esta seja a mudança mais importante produzida pelo MPMH©. Durante demasiado tempo, confundimos motivação com entretenimento. Mas aprender não significa estar constantemente divertido. Significa transformar-se.

Quando o Espírito do Grupo (EG©), o Círculo de Espírito da Turma (CET©), a aprendizagem cooperativa, o Mood Meter™ e o Modelo Circumplexo de Plutchik™ passam a integrar a rotina da aula, o centro deixa de ser apenas a execução motora. O centro passa a ser o desenvolvimento do Ser-Práxico:

  • Aquele que aprende a agir com consciência.
  • A cooperar.
  • A liderar.
  • A escutar.
  • A regular as emoções.
  • A assumir responsabilidade pelo bem comum.

É precisamente isso que o anteprojeto de experimentação pedagógica procura avaliar: se a integração sistemática destas ferramentas melhora o desenvolvimento sociorelacional, a agência pessoal e a autorregulação emocional dos alunos, sem alterar o currículo, o roulement, os critérios de avaliação ou a organização da escola.

No fundo, talvez seja essa a verdadeira inovação pedagógica. Não ensinar apenas conteúdos. Mas criar condições para que cada aluno descubra que aprender é, antes de tudo, uma forma de transformar a maneira como existe no mundo.

A autoridade pedagógica não se recupera pela imposição da autoridade, mas pela construção de comunidades que aprendem a autorregular-se. Quando a turma desenvolve Espírito do Grupo, o professor deixa de governar comportamentos para passar a formar consciências.