Peter Gray critica a educação forçada ou compulsiva (o aluno não tem escolha) porque prejudica as crianças de forma profunda e significativa e reduz a diversidade do conhecimento das habilidades (competências essências e chave condicionadas pelo modelo da literacia desportiva). Forçamos as crianças ao mesmo currículo (programas) normalizados e reduzimos as oportunidades para que as crianças sigam caminhos alternativos personalizados. O currículo escolar representa um pequeno subconjunto de habilidades e conhecimento importante para a nossa sociedade. Porque forçamos todas as crianças a aprender a mesma matéria?
Motricidade Humana
Desafios da Educação Física para o Século XXI
Os critérios utilizados para justificar a escolha das matérias, ou mesmo a justificação da separação entre matérias nucleares e alternativas é questionável. Quando utilizo a palavra questionável, não quero com isto dizer que é falacioso, mas que se trata apenas de uma convenção. Quem redigiu e concebeu os programas tinha em mente uma determinada conceção ou referencial axiológico e obviamente que se socorreu de um conjunto de pressupostos que têm a sua validade relativa. Tudo depende da forma como queremos observar e interpretar a cultura do Corpo e da Formação Corporal. A perspetiva que proponho é tão válida, senão mais válida que a anterior, considerando as competências prioritárias do século XXI, o modelo de aprendizagem dialógico e a organização das escolas em comunidades de aprendizagem. Como referi, o novo PNEF não deve estruturar-se em função de matérias mas sim das estratégias.
Repensar o Modelo Pedagógico da EF
Num artigo de referência publicado na revista Horizonte intitulado "caracterização da Educação Física como Projeto Educativo" pelos principais atores deste atual modelo curricular da EF, Francisco C. da Costa e colaboradores, referem uma "quainta" corrente, muito polémica desde a sua génese que se baseia e enfatiza os mecanismos percetivos da conduta motora. A importância desta orientação residiria no facto de, com ela, o aluno "aprenderia a aprender", tornar-se-ia "disponível", capaz de aprender qualquer atividade. Por esta razão, o conceito de aprendizagem de um movimento desportivo em si, não tem razão de ser - tanto pode ser esse ou outro qualquer. Por esse motivo, o movimento operacionalizado e difundido principalmente por Jean LeBoulch e seus seguidores, surge como uma indiferença ou mesmo recusa ao Desporto.