Projeto Brincar


Construção de laços e confiança nos outros:

BRINCAR – estratégia fundamental na construção de laços e colaboração entre pares.

À medida que transitamos de criança para jovem e adulto, perdemos gradualmente a alegria e espontaneidade. Brincar é uma pura expressão de amor.

declínio do brincar e a patologia

A escola é um lugar onde as crianças são obrigadas a estar e onde a liberdade delas é muito restrita – muito mais restrita do que a maioria dos adultos toleraria nos seus locais de trabalho!…

As crianças (Todos nós) estamos biologicamente desenhados para nos aducarmos a nós próprios através do brincar e da exploração. Nós não precisamos de educar as crianças, precisamos sim de lhes facilitar as condições que as permitam serem elas próprias!…

Peter Gray


Peter Gray
afirma que as crianças perdem a sua motivação quando perdem a possibilidade de escolha, quando o adultos estão no comando, e como tal elas não aprendem as lições primárias, como estruturar as suas próprias atividades, resolver os seus problemas e assumir a responsabilidade pelas suas vidas. As crianças aprendem muitas lições com valor nos jogos informais que não aprendem no desporto organizado.

No seu livro “Free to Learn” (2013), Peter Gray apresenta dados que mostram o aumento das desordens mentais nas crianças como consequência da diminuição da sua liberdade. Se amamos as nossa crianças, e queremos que elas prosperem, devemos permitir-lhes mais tempo e oportunidades para brincar. Porém, os nossos valores culturais privam as crianças de algo fundamental. O argumento que justifica a escola a tempo inteiro advém do pressuposto que elas precisam desse tempo para se prepararem para o mundo competitivo de hoje e de amanhã (criança objeto). Por outro lado, os pais precisam que alguém tome conta delas.

libertem-as-criancas

Esta campanha publicitária mostra a reação de prisioneiros de alta segurança perante um estudo sobre os hábitos atuais das crianças.

Os presos de uma prisão de alta segurança nos Estados Unidos têm autorização para passarem duas horas no pátio. Por estranho que pareça, é o dobro do tempo que passam ao ar livre os jovens de todo o mundo, entre os 5 e os 12 anos. As marcas de detergente OMO e Persil levaram a cabo um estudo em 12 países, entrevistando mais de 12 mil pais com crianças destas idades. As conclusões apontam para menos de meia hora na rua.

A brincadeira promove a saúde mental nas crianças. As consequências da privação do Brincar nas Crianças são:

  1. Aumento da ansiedade e da depressão (Perda de autonomia).
  2. Diminuição do sentido de controlo pessoal (Maior insegurança).
  3. Aumento do narcisismo e diminuição da empatia (menor sentimento de pertença)

Bibliografia:

  • Peter Gray (2013); “Play as preparation for learning and Life”; American Journal of Play; Vol. 5, number 3; pp. 271-292: PDF

  • Peter Gray (2011); “The Decline of Play and the Rise of Psychopathology in Children and Adolescents”; American Journal of Play; Vol. 3, number 4; pp. 443-463: PDF
  • Peter Gray; “Free to Learn – Why Inleaching the Instinct of Play will make our children Happier, More Self-reliant, and better students for life”; baric Books (Resumo): PDF
  • Peter Gray (2011); “Freedom to Learn – The roles of play and curiocity as foundations for learning”; Psychology Today Blog: PDF

  • Carly Wood and Katie Hall (2015). Physical Education or Playtime: which is more effective at promoting physical activity in primary school children?: PDF
  • Andrea Stracciolini et al. (2013) Exercise-deficit disorder in children: are we ready to make this diagnosis: PDF
  • Avery D. Faigenbaum and Gregory D. Myer (2012), Exercise Deficit Disorder in Youth: play now or play later: PDF
  • Michael Waring et al. (2007) observation of children’s physical activity levels in primary school: is the school an ideal setting for meeting government activity targets: PDF
  • Suart J. Fairclough and Gareth Stratton (2005) Physical Activity levels in middle and high school physical education: a review: PDF

Brincar, uma Necessidade Evolutiva


O corpo, através de um conjunto de sucessivos upgrades, inerentes a um processo de continua adaptação às constantes transformações climáticas e geológicas, evoluiu e permitiu-nos sobreviver.

Peter Gray é um psicólogo evolucionista o que significa que se interessa pela natureza humana, a sua relação com os outros animais e a forma como a natureza foi moldada pela seleção natural. O seu principal interesse é a brincadeira. Todos os jovens mamíferos brincam, e porquê?

A seleção natural, nos humanos, favoreceu um forte impulso para que as crianças observem as atividades dos mais velhos e as incorporem nas suas brincadeiras. Em qualquer cultura, quando se dá a oportunidade para as crianças brincarem livremente, fazem-no de acordo com as competências comuns a todos os seres humanos (andar, correr, saltar, atirar, puxar, etc…), mas introduzem também as habilidades específicas da sua cultura.

Consequência:

  • Queremos “adultizar” as crianças precocemente, roubando-lhes a infância.
  • A escola ocupa todo o dia das crianças roubando-lhes tempo para brincar livremente.
  • A escola impõe programas extensos e densos, sobrecarregando as crianças promovendo o stress e a incapacidade de assimilação dos conteúdos.
  • As crianças são educadas nas instituições com todas as consequências que daí advém, quando estas não são espaços acolhedores, nutridores e felizes.

Brincar em contacto com a natureza.


Frivolidade Funcional:


O que as escolas modernas deveriam valorizar:

  • Aquisição de conhecimento.
  • Planeamento a curto e longo prazo com base em habilidades.
  • Inferência e raciocínio contra-factual.
  • Aquisição e modificação cultural.
  • Conceptualização abstrata e Cognição relacional.
  • Inteligência emocional
  • Felicidade, Plenitude.

O moderno sistema educativo desvaloriza a importância do brincar e do tempo para o fazer de forma livre e espontânea, que permite o desenvolvimento das anteriores capacidades. Em vez disso condiciona da seguinte forma:

  • Adesão estrita a regras (hierarquia cima-baixo e obediência).
  • Disposição metódica (mínima variação e flexibilidade).
  • Agenda de atividades rígida (falta de liberdade individual).
  • Aversão ao risco (minimização do pensamento divergente).
  • Padrões comuns (cristalizados e rígidos)
  • Métrica comum de aprendizagem (uniformização).
  • Ênfase na conformidade e na homogeneidade.
  • Ênfase no processo de enculturação formal.
  • A total vinculação dos objetivos e conteúdos da EF  ao formalismo do desporto competitivo (oposição e invasão territorial), explícito nos programas, reforça os pressupostos anteriores.

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Brincar é uma atividade que nos permite entrar em contacto com a nossa criança interior, tornando possível recuperar o domínio dos movimentos do corpo, do equilíbrio, da sensibilidade tátil, lentamente bloqueados pela rigidez do medo do adulto. A nossa sociedade tende a descartar a brincadeira para os adultos. Brincar é visto como improdutivo, insignificante ou espaço de ociosidade. Prevalece a ideia que, assim que atingimos a idade adulta, é altura de ficarmos sérios e, entre as responsabilidades pessoais e profissionais, não existe tempo para brincar. O único tipo de jogo que “honramos” é o jogo competitivo. Porém, o brincar|jogar é tão importante para as crianças como para os adultos. Nós não perdemos a necessidade pela novidade e prazer à medida que crescemos. Brincar|jogar traz alegria e é vital para a resolução de problemas, criatividade e relacionamentos. Brincar | jogar facilita laços e ligações profundas entre as pessoas próximas e estranhas e cultiva a “cura”.


Playful Path

bookcover-2014Descarregue o livro em PDF: A satisfação e alegria que nos proporciona a experiência de participar no jogo é o motivo principal dos atletas. Porém, existem centenas de outros jogos para além dos desportivos e na sua maioria são muito mais fáceis de jogar, muito mais convidativos e apelativos, muito menos sérios e que proporcionam uma sensação e sentimento de “alegria profunda”.

Quais são as 7 formas de tornar qualquer jogo ainda mais divertido segundo Bernie Devoken

  1. Se existem dois lados, adicionar um terceiro ou retirar um;
  2. De vez em quando, mudar de lado, de equipa ou outro algo;
  3. Se existem vezes, juntá-las ao mesmo tempo ou alterar a vez;
  4. Se existe um vencedor, joguem até encontrar um segundo, um terceiro e os restantes até todos vencerem;
  5. Se não é divertido, altere-o: junte outra bola, mude as regras, retire a regra, ou importe uma regra de outro jogo, ou junte outro jogo e jogue-os ao mesmo tempo, ou faça algo tolo;
  6. Se ainda continua a não ser divertido, mude-se a si: tente com os olhos fechados, ou com a outra mão, ou ate-se a alguém;
  7. Se ajudar a melhorar o jogo, para todos, faça batota.


Jogos Cooperativos são jogos onde a necessidade de se ser feliz, confiar e compartilhar a amizade são maiores que a necessidade de vencer.

O jogo cooperativo consiste em jogos e atividades onde os participantes jogam juntos, ao invés de contra os outros, apenas pela diversão. Através deste tipo de jogo, nós aprendemos a trabalhar em grupo, a confiança e a coesão grupal. Os jogos cooperativos apoiam-se em 4 pilares essenciais à sua realização:

  • Cooperação: diretamente ligada à comunicação coesão, confiança e ao desenvolvimento de capacidades de interação social positivas, através dela as pessoas envolvidas aprendem a compartilhar, a ter empatia e a se preocupar com os sentimentos dos outros.
  • Aceitação: diretamente relacionada com a elevada auto-estima e com a sensação de felicidade-comum. Assim como a rejeição está diretamente ligada a uma baixa auto-estima.
  • Envolvimento: o sentimento de pertencer, de fazer parte de um todo, a uma sensação de contribuição e satisfação com a atividade.
  • Diversão: a razão principal pela qual participamos nos jogo. Sem a sensação de divertimento, de alegria, o jogo perde a sua atratividade. Afinal, o que nos prende á atividade é a alegria e o prazer que o jogo pode proporcionar.

Jogar + Brincar + Movimentar:


“Team-Building” permite a auto-descoberta pelo resgate da liberdade de espírito que acontece em 3 etapas:

  1. Auto-perceção consciente: sentir cada parte do corpo e as sensações que podem surgir nessa mesma parte ou região.
  2. Auto-descoberta e auto-expressão: expressão livre dos sentimentos e emoções com genuidade. A vantagem do lúdico, do jogo, do brincar e da alegria do movimento pelo simples prazer do movimento;

  3. Libertação e auto-domínio: o indivíduo sabe o que sente e está em contacto consigo mesmo.