© Modelo Pedagógico da Motricidade Humana

Que tipo de pessoa se forma através do movimento?

O Modelo Pedagógico da Motricidade Humana (MPMH©) nasce precisamente dessa interrogação. Não como mais uma metodologia, mas como uma mudança de paradigma: da lógica da execução para a lógica da práxis, da instrução para a agência, do corpo-máquina para o Ser-Práxico.

O que distingue o MPMH©?

O MPMH© parte de uma premissa simples e profunda: o movimento humano é sempre intencional, relacional e ético. Não existe gesto neutro. Toda a ação motora expressa escolhas, valores, emoções, relações e formas de estar no mundo. Avaliar apenas a performance técnica é, por isso, insuficiente. Estas áreas não são disciplinas nem critérios isolados. São lentes interpretativas para compreender o progresso humano.

Desenvolvimento do aluno:

O modelo organiza o desenvolvimento do aluno em três áreas interdependentes:

Área A — Inteligência e Agência

  • Onde o aluno aprende a pensar a sua ação, a definir propósitos e a assumir autoria sobre o seu percurso motor.

Área B — Energia e Dinâmica Relacional

  • Onde se regulam emoções, se aprende a cooperar, a lidar com o erro e a construir sentido coletivo através do movimento.

Área C — Organização e Prática

  • Onde a técnica deixa de ser repetição e passa a ser conduta motora eficaz e sustentável, ajustada ao contexto e ao sujeito.

Avaliar sem rotular: a Hermenêutica do Progresso

Uma das ruturas mais claras do MPMH© está na avaliação. No lugar da comparação normativa e da classificação redutora, o modelo propõe uma avaliação ipsativa, centrada na evolução do aluno entre um ponto inicial (T0) e um ponto de realização (T1). Avaliar, aqui, significa interpretar o sentido do progresso, não apenas quantificar desempenhos. O diagnóstico não produz rótulos; produz hipóteses pedagógicas de trabalho.


O Projeto Práxico Pessoal

No centro do MPMH© está o Projeto Individual da Existência (PIE), entendido como o horizonte ético e antropológico da ação humana. Este horizonte é traduzido pedagogicamente, em contexto escolar, através do Projeto Práxico Pessoal (PPP) — o dispositivo que permite ao aluno planear, experimentar, refletir e regular o seu percurso motor na aula de Educação Física. O PIE define o horizonte antropológico e ético do aluno enquanto Ser-Práxico; o PPP traduz esse horizonte num dispositivo curricular, monitorizável e avaliável em contexto de aula de Educação Física.


GPS Práxico do MPMH©


Um modelo alinhado com a escola contemporânea

O PPP não é um projeto abstrato nem um plano de treino. É um exercício de cidadania corporal, onde o aluno aprende a: escolher atividades, gerir esforço, cooperar, cuidar de si e transferir atividades para a vida.

Não substitui os critérios institucionais de avaliação — qualifica-os pedagogicamente.

Porquê falar hoje de Motricidade Humana?

Porque educar pelo movimento não é ensinar a mexer melhor o corpo. É formar sujeitos capazes de agir com sentido, responsabilidade e liberdade.

O MPMH© propõe que a Educação Física deixe de ser apenas um espaço de treino ou ocupação e se afirme como aquilo que sempre foi em potência: uma pedagogia do humano em movimento.


© Modelo Pedagógico da Motricidade Humana

Quadro Epistemológico, Curricular e Avaliativo para a Educação Física. Fundamentado na Ciência da Motricidade Humana (Cinantropologia).

© 2026 JOÃO MANUEL FERREIRA JORGE


  • ISBN: 978-989-33-9172-3
  • Registo IGAC : 116/2026
  • Esta obra encontra-se licenciada sob a licença Creative Commons Atribuição–Não Comercial–Partilha Igual 4.0 Internacional (CC BY-NC-SA 4.0).