MPMH©: A Ciência da Transcendência


ÁREA AÁREA BÁREA C
InteligênciaEnergiaOrganização
Porquê?Como?O Quê?
O eixo do SentidoO eixo da Relação O eixo da Ação
OntologiaAlteridadeFenomenologia
O Ser que Concebe: A inteligência é a manifestação do “Ser em Projeto”. É aqui que nasce a intenção e a compreensão do “porquê” de agir. Projeto Práxico Individual.O Ser que se Entrega: A energia é o motor do Projeto Práxico de Grupo.O Ser que Estrutura: A ação é a vivência fenomenológica organizada. É a organização do corpo no mundo para cumprir o sentido definido na Área A.

A Hermenêutica: régua da objetividade:

O grande problema dos professores de Educação Física é justificar notas que não sejam baseadas em “quem corre mais rápido”, “salta mais alto”, “domina melhor a técnica”. Ao introduzir a Hermenêutica no T0 e T1, damos ao professor a ferramenta intelectual para avaliar a evolução da consciência e da intencionalidade. A objetividade do MPMH© não reside na frieza do número, mas na rastreabilidade do crescimento humano. Avaliamos factos: o facto da inteligência aplicada, o facto da energia intencionalizada e o facto da organização ética. A Hermenêutica é o método científico que nos permite converter esses factos de “ser” em indicadores de “avaliação”.

MomentoAvaliação Tradicional (Biométrica)Avaliação MPMH (Hermenêutica)
T0 (Inicial)Medição de performance e défices.Interpretação da situação ontológica e do horizonte do aluno.
ProcessoComparação com a norma/média.Acompanhamento da fenomenologia da ação (o esforço, a intenção).
T1 (Final)Verificação do resultado final acumulado.Validação da transcendência realizada entre T0 e T1.

A Transcendência:

Corresponde ao resultado, a evolução (O salto qualitativo: O aluno superou-se entre T0 e T1? Tornou-se “mais humano”?)


Ontologia

No contexto do MPMH©, a Ontologia não é apenas um conceito abstrato, mas o alicerce que define a natureza do “ser” que está no centro do modelo pedagógico. Se a hermenêutica é o “como compreendemos“, a ontologia é o “quem somos nós” enquanto seres em movimento.

A ontologia rompe com a visão clássica e estabelece-se sobre três pilares fundamentais:

O Ser como “Projeto” e não como “Objeto”

Esta é a maior rutura ontológica do MPMH©.

  • Paradigma Tradicional (Ontologia Dualista): Vê o corpo como um objeto, uma coisa (res extensa) que o aluno “tem” e que deve ser treinada e otimizada.
  • MPMH©(Ontologia da Motricidade): O ser humano não “tem” um corpo; ele é o seu corpo, ou melhor, ele é a sua corporeidade. A ontologia do MPMH© define o aluno como um “Ser em projeto”, uma unidade indivisível que se realiza através da ação intencional. O movimento é o modo de ser do homem no mundo.

A Motricidade como Essência Humana

A ontologia no seu modelo postula que a motricidade é o que caracteriza o humano.

  • Definição: Não é apenas deslocamento físico (desporto), mas a capacidade de transcender a biologia através do sentido.
  • Implicação Pedagógica: Quando um aluno joga ou se movimenta, ele está a manifestar o seu “ser”. A aula de Educação Física torna-se, assim, uma “oficina de ser”, onde o objetivo é o desenvolvimento da liberdade e da autonomia, e não apenas o cumprimento de uma tarefa motora.

A Unidade Dialética: Corpo-Espírito-Mundo

A ontologia do MPMH© recusa a fragmentação.

  • O aluno é visto como um sistema complexo onde a dimensão física, a emocional, a cognitiva e a espiritual (entendida como busca de sentido) estão integradas.
  • Transcendência Ontológica: O ser humano é o único ser que consegue “sair de si” (transcender) para se avaliar e se superar. O MPMH©utiliza a motricidade para treinar essa capacidade ontológica de superação.

“O MPMH© não ensina apenas a mover o corpo; ele educa a forma como o Ser Humano se situa e se projeta no mundo.”

A Ontologia no MPMH© é a afirmação do Ser Humano como uma unidade intencional e transcendente, cuja essência se manifesta na motricidade como linguagem de liberdade e superação constante.


Alteridade

A Alteridade é o componente que transforma o MPMH© de um sistema de desenvolvimento pessoal em um sistema de desenvolvimento humano e social. Ela é o antídoto contra o solipsismo (o foco apenas no “eu”) e a interdependência-negativa como forma privilegiada de relação.

  • Objetificação do outro: na Educação Física tradicional, o colega é um obstáculo ou uma ferramenta; no MPMH©, o outro é a condição para que eu exista enquanto ser ético. Substitui a relação Sujeito-Objeto (eu uso o outro para ganhar) pela relação Sujeito-Sujeito (nós superamo-nos juntos).
  • Eixo da Relação: Projeto Práxico de Grupo. A Alteridade é o “clima” onde essa energia circula. A Alteridade pergunta Como é que a minha ação impacta e acolhe o outro?

No dia a dia da escola, a Alteridade manifesta-se em três níveis que o professor pode avaliar objetivamente:

  • Reconhecimento: O aluno percebe as necessidades e limitações do colega.
  • Responsabilidade: O aluno sente-se corresponsável pelo sucesso do grupo (Projeto Práxico).
  • Co-transcendência: O aluno compreende que só atinge o seu nível máximo (T1) se ajudar o outro a transcender também.

Fenomenologia

Para o MPMH© a Fenomenologia é a ferramenta que suspende o julgamento mecânico para observar a experiência vivida.

Aqui estão os três eixos da Fenomenologia no MPMH©:

A Corporeidade (Leib) vs. Corpo Físico (Körper)

  • A Fenomenologia distingue o corpo-objeto (o cadáver, a máquina) do corpo-vivido (o corpo que sente, que tem consciência).
  • No MPMH©: não olha para o corpo do aluno como um conjunto de alavancas e músculos. Olhamos para a Corporeidade. O foco é a experiência subjetiva do aluno enquanto ele joga ou executa uma tarefa. É a passagem da “Educação do Físico” para a “Educação pela Motricidade”.

A Intencionalidade

  • Este é o conceito central da Fenomenologia: toda a consciência é consciência de alguma coisa.
  • No MPMH©: Não existe movimento “vazio”. Todo o gesto motor tem uma intencionalidade (um sentido, um para quê). O professor fenomenólogo não corrige apenas a técnica; ele procura compreender a intenção do aluno. Isto corta o tal “nó górdio”, pois une o pensamento à ação num ato único.

A Époche (Suspensão do Juízo)

  • Na Fenomenologia, a époche é o ato de colocar entre parênteses as teorias pré-concebidas para ver o fenómeno tal como ele se manifesta.
  • Aplicação Pedagógica: O professor do MPMH© suspende os preconceitos do paradigma biométrico (as tabelas de aptidão física, os padrões rígidos de rendimento) para observar o fenómeno da superação de cada aluno. O foco volta a ser a pessoa real que está à nossa frente, e não o “aluno médio” das estatísticas.

A Fenomenologia no MPMH© é o que transforma a aula de Educação Física num laboratório de humanidade. É o que permite que o “vencer” (técnico) dê lugar ao “transcender” (fenomenológico).


Hermenêutica

No contexto do MPMH©, a hermenêutica não é apenas uma técnica de interpretação de textos, mas uma atitude pedagógica e ontológica. Fundamentando-se na Ciência da Motricidade Humana de Manuel Sérgio, a hermenêutica no MPMH© pode ser definida através de três eixos principais:

A Interpretação da Ação (O Movimento como Texto)

  • No paradigma biométrico tradicional, o movimento é visto como mecânica (ângulos, forças, rendimento). No MPMH©, a hermenêutica propõe que o movimento é um “texto” produzido pelo “Ser em Projeto”.
  • Definição: É a capacidade do professor e do aluno de “lerem” a intencionalidade por trás do gesto. Não se avalia apenas se o aluno saltou X metros, mas o que esse salto significa na sua relação com o mundo, com o outro e com a sua própria superação.

A Compreensão do Aluno como “Ser-no-Mundo”

  • Inspirada na hermenêutica fenomenológica (de autores como Heidegger e Gadamer, que influenciaram Sérgio), a hermenêutica no MPMH©foca-se na compreensão do sentido.
  • Aplicação: O professor não é um instrutor técnico, mas um intérprete das possibilidades do aluno. A tarefa pedagógica é compreender o horizonte de sentido do aluno e ajudá-lo a expandi-lo através da motricidade. É o diálogo entre o que o aluno é e o que ele pode vir a ser (Transcendência).

A Substituição da Explicação pela Compreensão

Esta é a distinção fundamental no MPMH©:

  • Explicação (Paradigma Antigo): Analisa as causas biológicas, as leis da física e a técnica desportiva isolada.
  • Hermenêutica (MPMH©): Procura o sentido da conduta motora. Por que razão este aluno age assim? Qual o valor ético desta ação? Como é que este jogo contribui para a sua liberdade?

Resumo da Definição no MPMH©:

  • A hermenêutica no MPMH©é o processo dialógico de compreensão da conduta humana, onde o movimento é entendido como uma linguagem da liberdade, exigindo que a educação física passe de uma disciplina de “treino de corpos” para uma disciplina de “interpretação e construção de sentidos“.

Com estes três conceitos — Ontologia, Fenomenologia e Hermenêutica — o Modelo Pedagógico não é apenas uma proposta escolar; é um tratado de Antropologia Prática.


Transcendência

No contexto do MPMH©, a Transcendência não é um conceito místico ou puramente religioso; é o objetivo último da Motricidade Humana e a “chave mestra” que liga o modelo à Cátedra da Universidade Católica.

Se a Ontologia define o Ser, a Fenomenologia descreve a Experiência e a Hermenêutica interpreta o Sentido, a Transcendência é o movimento de superação que o aluno realiza.

Aqui está a definição de Transcendência no modelo:

A Superação do “Eu” (Vencer-se a si mesmo)

  • No paradigma desportivo tradicional, a transcendência é muitas vezes confundida com a vitória sobre o outro ou a quebra de um recorde físico.
  • No MPMH©: A transcendência é entendida como a capacidade do ser humano de ir além de si próprio. É o processo pelo qual o aluno supera as suas próprias limitações, medos e automatismos biológicos para atingir um novo patamar de consciência e habilidade. O foco sai do “vencer o outro” para o “vencer-se a si mesmo”.

A Passagem do “Corpo-Objeto” para o “Ser em Projeto”

  • A transcendência é o ato de liberdade. É o que permite que um gesto motor deixe de ser um simples reflexo ou uma técnica repetitiva e passe a ser uma expressão de intenção e valores.
  • Aplicação: Numa aula de Educação Física fundamentada no MPMH©, um aluno transcende quando utiliza o jogo ou o exercício para exercitar a sua autonomia, a sua ética e a sua relação com o mundo. A transcendência é o que transforma o “movimento” em “motricidade”.

A Dimensão Ética e Social

  • Para Manuel Sérgio, e consequentemente para o seu modelo, não há transcendência sem o outro.
  • Sentido Comunitário: Transcendência no MPMH©significa também superar o egoísmo do rendimento individual para alcançar a cooperação e o respeito. É a superação da técnica pura em direção à ética da solidariedade. No MPMH©, a Ética da Solidariedade é a tradução prática e pedagógica da Alteridade. Se a ontologia define que o ser é uma unidade e a transcendência é a superação de si próprio, a alteridade é o que impede que essa superação seja um ato egoísta ou narcísico. É o reconhecimento de que o “Eu” só se plenifica na relação com o “Outro”.

O “Nó Górdio” da Motricidade Humana

A Solução do MPMH©

Pilar do ModeloPerguntaO que rompe (O “Nó”)Aplicação Prática no MPMH©
OntologiaPorquêO dualismo “Corpo-Máquina” e a falta de propósito.PPPIntencionalidade: O aluno age como um “Ser em Projeto”
AlteridadeComo?O individualismo e a visão do “outro” como adversário.Projeto Práxico de Grupo: A energia é investida na relação e na solidariedade.
FenomenologiaO Quê?O movimento mecânico e repetitivo (Automatismos)Valoriza-se a intencionalidade do gesto e como o aluno sente e vive a ação motora.
HermenêuticaValidaçãoA avaliação pelo cronómetro e pela medida (rendimento).O professor/aluno interpreta o significado da ação. Avalia-se a superação e o valor ético (T0/T1).
TranscendênciaResultadoO limite do rendimento físico biológico.O objetivo é “vencer-se a si mesmo”. A aula torna-se um espaço de autotransformação.

Modelo Pedagógico da Motricidade Humana©

Quadro epistemológico, curricular e avaliativo para a Educação Física.

Fundamentado na Ciência da Motricidade Humana (Cinantropologia)

© 2026 João Manuel Ferreira Jorge

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