Académico versus Não Académico


Mitos da Educação


mito da educação portugues

Fonte da Imagem: RSA Animate – Mudar o Paradigma da Educação – Ken Robinson.

Um dos grandes Mitos da Educação relaciona-se com a separação entre as disciplinas ditas académicas e não académicas como o caso da Educação Física. Esta separação reflete o Paradigma Cartesiano que separou a mente do corpo.

paradigma cartesiano

RELATÓRIO pisa

estatistica PISA


Interesses da Sociedade Dominante


“Homem Produtivo”:

ciclo de vida

A escola tendeu desde sempre a assumir uma postura que exclui a vertente lúdica dos valores pedagógicos importantes para o desenvolvimento integral e global das crianças e sendo o trabalho encarado como uma “atividade séria” para os interesses de uma sociedade produtiva (…). Entendemos que o Homem não pode, nem deve viver unicamente baseado na prática intelectual da racionalidade nem da atividade técnica, devendo o Homem neste novo século, entender e respeitar a sua vertente sonhadora, poética e lúdica. (…) A escola deve também abrigar no seu espaço os momentos de convívio entre as crianças como parte integrante da construção da sua felicidade. (…) A exclusão das possibilidades lúdicas das crianças do espaço escolar revela uma instituição agarrada aos interesses da sociedade dominante numa conceção vergada aos interesses do homem produtivo. A Educação Física, a única disciplina que se constituia como uma atividade que mais se aproximava do conceito de vertente lúdica através dos jogos e brincadeiras, descaracterizou-se também em função do homem produtivo (critério da performance inerente ao modelo desportivo) e as métricas transformaram os jogos em trabalho físico, em produtividade e rendimento motor quantificável.

OCDE PISA

Mihaly Csikszentmihalyi (1975) refere que, a forma como nos relacionamos com o nosso corpo parece refletir o profundo conflito na vida contemporânea. A relação com o corpo passa por uma profunda e crítica mudança. Enquanto por um lado está a ser feita uma tentativa desesperada para se recuperar a harmonia do corpo e da mente (Educação Física, Exercício e Saúde e Fitness), ao mesmo tempo parece que cada vez somos menos capazes de viver com e através do corpo. O resultado é que deixamos de nos sentir confortáveis a viver nos nossos corpos. Nos países tecnológicos, um crescente número de pessoas encontra-se “encerrada” numa luta confusa contra os seus corpos.

  • Querem dormir, mas não conseguem,
  • Querem ficar magras, mas engordam,
  • Querem sentir-se alegres, mas não conseguem sair das suas depressões profundas.

Muitas soluções são possíveis para esta falta de adequação entre o propósito do corpo e o propósito da mente. Mas pelo facto desta cultura estar organizada em torno do símbolo do controlo tecnológico, a solução típica é do tipo mecânico e tecnológico. Isto significa que a Educação Física tem perdido gradualmente a sua legitimidade no quadro geral da organização dos saberes, porque a procura da saúde do corpo faz-se sobretudo através da atenuação dos sintomas que são adormecidos pelo medicamento. Esta separação da mente e do corpo, onde o corpo tem perdido a sua relevância e estatuto, sendo relegado para um mero veículo de transporte da cabeça, tem-se acentuado tanto, ao ponto de se hipotecar a infância e a necessidade biológica de brincar por causa do medo dos baldios neuronais e da perda do capital intelectual investindo-se numa Escola a tempo inteiro fundamentalmente vocacionada para as competências cognitivas.


O Mundo é Matemático!


capacidades matemáticas

Como ficaria o mundo se uma noite nos deitássemos e durante o sono desaparecessem todos os números e, com eles, o pensamento numérico? No dia seguinte acordaríamos num mundo sem computadores, sem rádio nem televisão, sem telemóveis e também sem telefones fixos, sem um microondas para aquecer o leite do pequeno-almoço…! E tudo isto sem termos sequer saído ainda de casa! A atual sociedade humana não pode existir sem números. A sua presença é avassaladora, não só na nova sociedade nascida da revolução digital, mas desde sempre. Os números regeram a atividade humana desde as suas origens e são o seu instrumento mental mais fundamental e impressionante.


O Mito da Matemática


matemática

Todas as civilizações desenvolveram os números para levar a cabo atividades básicas. Cada cultura representou-os à sua maneira, mas desde o início dos tempos que os recursos matemáticos do homem se centraram em quatro atividades:

  • Contar.
  • Ordenar.
  • Medir.
  • Codificar.

As duas primeiras funções são as mais evidentes e lógicas. Para contar, é necessário atribuir números ao que temos, isto é, numerar; depois, quando temos uma séries de objetos numerados, a nossa ação mais espontânea é pô-los em ordem (ex: ordem de chegada dos alunos no corta-mato escolar). Será muito mais tarde que apareceram as outras duas funções, que implicam maior complexidade. Medir requer a existência de unidades padrão para cada uma das grandezas e comparar os resultados obtidos para proceder a operações com eles (ex: distância do salto em comprimento em metros). Ainda mais recente é a última função, a codificação. Embora tenha chegado no fim do caminho, a codificação assume na sociedade moderna uma importância vital.

A introdução de um sistema de numeração implica um forte processo de abstração, a ponto de muitos especialistas considerarem que, a par da aprendizagem da linguagem, é um dos maiores esforços mentais que o ser humano realiza ao longo da vida. Quando dizemos “três”, podemos estar a referir-nos tanto a 3 ovelhas, como 3 pedras, 3 casas, 3 árvores, 3 alunos ou 3 coisas quaisquer. “Três” é um conceito abstrato, uma pura imagem mental que, para subsistir como tal um grupo social, requer uma única palavra e um símbolo como veículos de comunicação. Recordemos que a linguagem quotidiana também implica processos de abstração. Quando uma criança aprende pela primeira vez a palavra “cadeira” refere-se em geral exclusivamente ao objeto que utiliza para se sentar, mas pouco a pouco vai-se apercebendo de que a mesma palavra pode referir-se a muitos outros objetos domésticos cuja função é sempre a mesma. O processo de abstração prossegue e um dia surge a palavra “assento”, um nível superior de abstração que já não inclui apenas as cadeiras mas também os bancos, cadeirões e quaisquer outros objetos que sirvam para se sentar. Nesta ordem de ideias, ninguém deveria duvidar de que o processo evolutivo, no que se refere às espécies “inteligentes”, está inexoravelmente associado a um aumento progressivo da sua capacidade de abstração.

matemática1

mito da matemáticaExistem muitos mitos na Educação que são levados muito a sério como se de verdades absolutas se tratassem!… Andrew Hacker (2016) no seu livro The math Myth and other STEM delusions afirma que entre os vários enganos/mitos da nossa era encontramos os poderes atribuídos à matemática exacerbado por uma fé inabalável nas competências abrangidas pelo acrónimo STEM: Science, Technology, Engineering, Mathematics – CTEM: Ciência, Tecnologia, Engenharia, Matemática. Conjuntamente estas áreas animaram uma das maiores mitologias dos nossos tempos. Tal como todos os mitos, têm uma base de verdade que se torna sedutora para quem não faz os seu trabalho de casa e se dá conta que estamos a esquecer toda uma dimensão da expressão humana que não é quantificável. O filósofo Português, José Gil, afirma que só existe invenção, inovação, produção criativa deixando margem para o imprevisível, o inavaliável, a irrupção da singularidade!…


Modelo Mecanicista da Educação Física


Não só a Educação Física precisa de justificar a sua importância através da sua contribuição para a melhoria dos resultados no Português e da Matemática, como ela própria, para se auto-justificar como ciência, teve que adotar as ciências exatas como a biomecânica, estatística, engenharia, etc. As Ciência do Desporto colonizaram os Programas de EF cujos objetivos e conteúdos ficaram totalmente reféns deste referencial axiológico. Ao fazê-lo asfixiou parte da sua riqueza procurando nas métricas e nos currículos fechados e normalizados (matérias nucleares), formas de quantificar o comportamento dos alunos e o seu valor académico através de uma “classificação”.

Mtematica bola de futebol

A Educação Física moderna nasceu num clima intelectual onde predominava o velho empirismo Inglês e, anos mais tarde, o positivismo, afirma Manuel Sérgio em “Motricidade Humana, uma Nova Ciência do Homem”. O anatomo-fisiologismo imperava, quando Jahn Amoros, Ling e seus discípulos lançaram as bases da Educação Física Moderna (…) a qual preiteava também, a seu modo, o paradigma cartesiano. Descarte introduziu a separação de mente e corpo, a par da ideia de que o corpo é uma máquina que pode ser completamente entendida em termos de organização e funcionamento.

matemática no desporto 1
Matemática no Desporto: Gráficos/Estatísticas; Trigonometria; Geometria

Ora, a adoção do modelo Comportamentalista (behaviourismo) pela Educação Física representa o ponto mais alto, mais marcante da abordagem mecanicista do ser humano. Este modelo mecanicista da EF está bem representada nos PEF (Programas de EF) que privilegiam a decomposição dos padrões motores (padronização) da técnica desportiva em elementos mais simples para serem automatizados (estamos a falar do corpo máquina e a programação motora pela automação e eficácia).

A EF confunde-se quase exatamente com a iniciação à prática desportiva e ao seu corolário através da aprendizagem de gestos específicos (mecanização estrita ou “drill” – modo de aprendizagem é responsável pela estereotipia gestual. A técnica do “drill” consiste em decompor os atos que vão ser aprendidos e a recompô-los numa gama de reflexos). A prática baseada no “drill” (exercitação pela repetição), coloca um conjunto significativo de problemas motivacionais para os alunos na medida em que envolve grandes quantidades de repetição a qual pode ser simultaneamente monótona e aborrecida.
Este modelo de relação pedagógica, direct instruction (estilos de ensino centrados no professor), valoriza sobretudo:

  • (1) Memorização;
  • (2) Repetição;
  • (3) Automatização;
  • (4) Passividade;
  • (5) Reprodução;
  • (6) Imitação.

Podemos enumerar as 5 causas justificativas da insatisfação dos alunos relativamente ao ensino do jogo centrado na aquisição das habilidades técnicas que constituem razões suficientes para questionar a efetividade deste modelo de ensino:

  1. O reduzido sucesso na realização das habilidades técnicas;
  2. A incapacidade dos alunos criticarem a prática do jogo;
  3. A rigidez das habilidades técnicas aprendidas;
  4. A baixa autonomia dos alunos durante o processo de ensino e aprendizagem;
  5. O conhecimento reduzido acerca do jogo.

No behaviourismo o sujeito resume-se à realidade orgânica e o estudo do movimento “finito” por meios (“Métricas”) unicamente mensuráveis. O Próprio ideal Olímpico reduz a expressão motora a uma procura de mensuração daqueles que se destacam pelas métricas: mais forte, mais alto e mais longe.

https://www.ted.com/talks/rajiv_maheswaran_the_math_behind_basketball_s_wildest_moves?utm_campaign=tedspread&utm_medium=referral&utm_source=tedcomshare

A própria Educação Física deixou-se colonizar por este Mito da matemática e asfixiou a sua dimensão expressiva, fluída, criativa e natural (“via da realização interior”). Existem muitas formas de exploração do movimento em áreas onde a EF se desvincula totalmente do desporto (Pedagogia da Consciência) ou explora as interações sociais num espaço de independência com a competição (Pedagogia da Cooperação).

cérebro trino

Estes modelos de análise matemática não deixam de ser extremamente interessantes e importantes se forem bem utilizados. Como investigador independente, tenho grande interesse na linguagem matemática que nos permite conhecer a nossa realidade porém, também me preocupo com a falta de atenção dada à dimensão intuitiva, emocional e somática. O Paradigma Holístico integra estas duas realidades permitindo explorar o nosso potencial de forma muito mais rica e integrada. Nós temos dois hemisférios e “três níveis integrados de processamento”, o Reptiliano (Comportamental), o Límbico (Emocional) e o Neocórtex (Racional), porém sobrevalorizamos o hemisfério esquerdo (lógico e racional) e o neocórtex (raciocínio). No entanto, quando a criança vai para a escola ela leva consigo os três cérebros e os dois hemisférios!…

cerebro trino

reptiliano

BFA – Benefício factual; BE – Benefício Emocional; BS – Benefício Simbólico.


Corpo vivido, percebido e representado.


Numeracia:

  • ¹ Numeracia é o raciocínio quantitativo que facilita a interpretação de figuras que nos informam e/ou organizam no dia-a-dia.
  • ¹ Numeracia é a habilidade para compreender e usar os números na vida diária. A numeracia é uma componente importante da literacia.

desenvolvimento-motor

A criança aprende a arremessar um objeto (ex: dardo, bola de basebol, pedra, peso, etc…), através da própria experiência prática. Aprende por tentativa e erro a controlar os segmentos corporais (coordenação óculo-manual e óculo-pedal), a força e trajetória do objeto, até conseguir acertar num alvo a 15 metros, por exemplo. Ela aprende a fazer cálculos sem o recurso a abstrações matemáticas, apenas utilizando os processadores corporais e as imagens mentais associadas. A linguagem corporal é mais imediata e prática de interiorizar porque a forma de utilizar o corpo e as suas representações têm permanecido mais ou menos constantes e idênticas do ponto de vista filogenético. A criança aprende por imersão num campo de estímulos visuais, auditivos, olfaticos, táteis e cinestésicos. A criança ou jovem efetua cálculos de resultados, de trajetórias as quais aprende a antecipar pela experiência prática sem nunca recorrer aos numerais, apenas com o recurso aos sentidos externos e internos. Aprende-se a fazer cálculos sem a necessidade de notações.

biomechs3

A matemática propriamente dita, inicia-se no ensino secundário e abrange a geometria e o cálculo. A aritmética diz respeito à adição, subtração, multiplicação, divisão, seguido pelas frações, decimais, percentagens e rácios mais a estatística que encontramos nas nossas vidas diárias. O autor afirma que todos nós devemos aprender aritmética no primeiro ciclo. Existem dados de investigação que mostram que a matemática ensinada atualmente não melhora a literacia quantitativa (numeracia¹) ou raciocínio quantitativo ou facilita a interpretação de figuras que nos informam e/ou organizam no dia-a-dia. Mesmo que a maioria dos Portugueses adultos tivessem estudado álgebra, geometria e fases do cálculo, isso não garante um aumento da sua competência numérica. O autor refere que apenas necessitamos da aritmética para interpretar os gráficos do Jornal de Wall Street ou no Diário Económico bem como documentos públicos ou relatórios empresariais.

fim da mediaPorém, o mais caricato nesta situação é que a matemática e linguística se tornaram nas Estrelas da Educação e a Educação Física para se afirmar enquanto área curricular, apenas o consegue se demonstrar que contribui para a proficiência na leitura e matemática o que é no mínimo caricato e no máximo ridículo.

Diapositivo32

crenças dissonânica cognitiva

O mais impressionante é o facto deste mito/crença se tornar tão generalizado como se de uma verdade absoluta se tratasse, materializando-se nas Leis da Educação e na cultura social dominante – tudo tem que ser medido, quantificado para ter valor e ser reconhecido.

escala


EF e Performance Académica


active education

Naperville-Central-High-PE-results-e1459518546426

  1. A participação regular em atividade física promove benefícios na performance académica.
  2. Uma única aula de atividade física pode aumentar a atenção e a memória.
  3. Os efeitos da atividade física na saúde cerebral podem explicar a melhoria na performance académica.
  4. Tracey J. Shors et al. (2014). Mental and Physical Training and neurogenesis: PDF
  5. Adam G. Thomas et al. (2012). The effects of aerobic activity on brain structure: PDF
  6. Active Education: Growing Evidence on Physical Activity and Academic Performance: PDF
  7. Gregory J. Welk et al. (2010); “The Association of Health-related Fitness with indicators of Academic performance in texas Schools”; Research Quaterly for Exercise and Sport; vol. 81; Supplement n.º 3; pp. S16-S23: PDF
cerebro ativado exercicio

Atribuição atencional composta de 20 estudantes que fazem o mesmo teste: estas 2 imagens cerebrais, tiradas do topo da cabeça, representam a quantidade de atividade neuronal média de estudantes durante um teste depois de estarem sentados e depois de uma caminhada de 20 minutos. A cor azul representa uma atividade neuronal baixa enquanto a cor vermelha denota uma atividade cerebral numa dada região.

LRPE graf melhoria algebra

paradigma cartesiano APF


Avaliação em EF – Métricas:


Porquê avaliar?

CÉREBRO TRIUNO

  1. Neocórtex: O que avaliar?
  2. Neocórtex: Como Avaliar?
  3. Sistema Límbico: Porquê Avaliar?

Criamos um sistema de crenças que define a forma de utilização do corpo e o seu desenvolvimento na dependência de condicionantes materiais, de regras e constrangimentos culturais. Estas opções tradicionais, que se tendem a estandardizar funcionam como um normativo, de certa forma paradigmático, modelador da ideia de que a realização das atividades físicas se reduz à prática, mais ou menos caricatural, ou mesmo bizarra, da competição desportiva, afirma José Eduardo Monteiro (1996).

  • Será que para garantir que os alunos aprendam temos que medir o aprendizado?
  • A quantificação do aprendizado permite comparar a prestação a valores de referência padronizados ou comparar diferentes alunos entre si e hierarquizar os alunos!… Mas, para quê?
  • No âmbito da pedagogia, a avaliação escolar é um processo sistematizado de registo e apreciação dos resultados obtidos em relação metas educativas estabelecidas previamente.
  • Ler o artigo relacionado: O Olhar do Psicodrama no Campo da Avaliação Escolar.
  • Ler Artigo relacionado: Escola para todos os Tipos de mentes e Corpos.

rede de aprendizagem

O Quê da Aprendizagem?

  • Como é que reunimos os factos e categorizamos aquilo que vemos. A identificação das componentes críticas dos padrões de movimento ou de ações técnico-táticas são tarefas de reconhecimento. Múltiplos significados de representação. Neocórtex.

O Como da Aprendizagem?

  • Planificação e realização de tarefas. A forma como organizamos e realizamos os nossos conhecimentos técnicos e/ou táticos em ações motoras, são tarefas estratégicas. Múltiplos significados de ação e expressão motora. Neocórtex.

O Porquê da Aprendizagem?

  • Como é que os alunos se envolvem e mantêm motivados e interessados nos desafios da aula de EF – dimensão afetiva!… Múltiplos significados de envolvimento. Sistema Límbico.


Modelo Tradicional de Avaliação


A avaliação em Educação Física depende muito da observação em contexto pedagógico. Para isso o Professor baseia-se na imagem mental que possui de modelos (padrões motores de técnica desportiva). As avaliações qualitativas centradas no domínio técnico e tático são as mais utilizadas pelos professores encontrando-se muito dependentes do grau de conhecimento das modalidades. A análise das tarefas e as técnicas de observação determinam, em grande medida, a qualidade da avaliação. É o caso dos sistemas de observação em situação de ensino que permitem a avaliação diagnóstico, formativa e sumativa, contínua e a auto-avaliação.

Exemplo de Critérios de Avaliação:

3 grandes Domínios de Avaliação – 4 Grandes Áreas de Avaliação:

DOMÍNIO MOTOR:

  • A – Atividades Físicas – Habilidades Motoras Compostas e Complexas (Ações Técnico-Táticas) – 30%
    • Ações Técnicas – Situação de Exercício Critério.
    • Ações Táticas – Situação de Jogo.
  • B – Aptidão Física – Habilidades Motoras Básicas (Ações Físicas) – 30%
    1. Aptidão Aeróbia.
    2. Composição Corporal – Ler artigo relacionado Validade do Índice de Massa Corporal.
    3. Aptidão Muscular:
      • Força Superior, Média e Inferior.
      • Resistência Muscular.
      • Flexibilidade.

DOMÍNIO COGNITIVO:

  • C – Conhecimentos – 10%.
    1. Unidades Funcionais.
    2. Massa Muscular Solicitada.
    3. Tipo de Contração Muscular.
    4. Zona Alvo de FCT (Frequência Cardíaca de Treino)

DOMÍNIO SÓCIO-AFETIVO

  • D – Domínio Sócio-Afetivo – 30% Ler artigo relacionado: Domínio Sócio-afetivo

    • Testes Sociométricos.
    • Mood Meter.
    • Circumplex.

AVALIAÇÃO EXTERNA

  • E – Provas de Aferição em Educação Física

Tratamento dos Resultados – Objetivo: tratamento estatístico adequado. A estatística é uma ciência que se dedica à recolha, análise e interpretação de dados e utiliza as teorias probabilísticas para explicar a frequência da ocorrência de eventos, tanto em estudos observacionais quanto em experiências. A estatística é uma área da matemática que nos fornece as técnicas necessárias para conseguir extrair informação de um conjunto de dados. Podemos afirmar que a estatística é a ciência do grupo. O nosso argumento é que os indivíduos se comportam, aprendem e se desenvolvem de formas muito distintas, mostrando padrões de variabilidade que não são capturados pelos modelos que se baseiam nas médias estatísticas. Desta forma, qualquer tentativa significativa que procure desenvolver a ciência da individuo começa necessariamente por ter em consideração a variabilidade individual que é pervasiva em todos os aspetos do comportamento e em todos os níveis de análise. A ciência do grupo é um pobre substituto para uma verdadeira ciência do individual. Todd Rose

preconceito da média

  • Todd Rose, Parisa Rouhani and Kurt W. Fisher (2013), “The Science of the Individual”; Mind, Brain and Education: PDF

Dedicarei um artigo só a analisar os prós e contras da avaliação tal como é feita na EF.


Avaliação/quantificação das atitudes e valores.

  1. Auto-gestão (responsabilidade) – como quantificar a responsabilidade?
  2. Tomada de decisões responsáveis (Autonomia) – como quantificar a autonomia?
  3. Consciência social (Colaboração) – como quantificar a colaboração?
  4. Competências Relacionais – como quantificar?
  5. Auto-consciência – como quantificar?

Esta é uma das áreas de avaliação menos desenvolvidas e estudadas do ponto de vista  objetivo pela EF. Todos os professores atribuem uma classificação a parâmetros como:

  • Empenho.
  • Participação na aula.
  • Assiduidade.
  • Pontualidade.
  • Colaboração.
  • Trás equipamento.
  • etc…

Porém, pergunto-me, qual a relação destes parâmetros com o desenvolvimento e avaliação de competências afetivas (Emocionais) e Sociais? A validade da classificação nesta dimensão perde legitimidade por falta de objetividade e congruência.

Os próprios testes sociométricos são uma excelente ferramenta para se conhecer a dinÂmica social numa turma porém, não são ferramentas de classificação da qualidade das relações estabelecidas.

sociometria


Avaliação Externa através das provas de Aferição.

provas de aferição


Flexibilidade do Programa de EF


APRESENTACAO 11 CNEF-009-009

testes normalizados oposto PT limpo

Se estamos interessados no Modelo da Educação, não começamos a partir da mentalidade da linha de produção (Conformidade e Normalização/Testes Normalizados), devemos ir exatamente na direção oposta. Sir Ken Robinson “Changing Education Paradigm” RSA Animate.


Avaliação Auto-Regulada


Avaliar/monitorizar usando os Monitores de Frequência Cardíaca – Personalização da avaliação:

Quando os alunos jogam os desportos habituais como o futebol, eles não atingem a sua zona de frequência cardíaca alvo. Os monitores de FC permitiram alterar a forma como se deve prescrever a atividade física na aula. Devemos adotar jogos como o Pass Ball, uma forma de ultimate Frisbee misturado com o futebol americano, que exige dos alunos um maior envolvimento físico (mais tempo em corrida). Os alunos que são habitualmente vistos como atléticos apercebem-se que também têm que aumentar o seu investimento em termos de intensidade na aula de EF para manter as zonas de F.C. alvo, a qual varia de aluno para aluno em função da sua condição física pessoal. É nesta flexibilidade que o programa de EF deve ser abordado em vez da tradicional rigidez.

ciencia do individuo

polar gofit

Os monitores de FC como ao software GoFIT da Polar©, uma ferramenta fácil de usar que permite aos PEF avaliar os alunos e/ou classes inteiras de alunos com uma muito maior precisão. O projeto pode utilizar o Fitescola© que permite tanto aos professores como alunos acompanhar os seus progressos.


novo paradigma da EF

novo paradigma motricidade humana

damasio e descartes

Embora António Damásio tenha exposto o Erro de Descarte, parece que é muito difícil demover toda uma estrutura intelectual da dependência e ilusão deste paradigma.

unidade mente-corpo

Está na altura de iniciarmos o caminho de recuperação da unidade mente-corpo e reintroduzir as variáveis omitidas na equação da formação corporal. Podemos começar por:

  • Delegar às escolas a responsabilidade de planear a educação numa perspetiva pedagógica em vez de burocrática.
  • Delegar às escolas a criação do currículo de educação corporal em colaboração com os alunos.
  • Abandonar o Mito das Matérias Nucleares.
  • Abandonar o Mito da Total Vinculação dos Objetivos e Conteúdos da Educação Física do Modelo Desportivo (Independência e Desvinculação com o modelo desportivo).
  • Abandonar a “Ciência do Grupo” (Mito da Média) e evoluir para a “Ciência do Indivíduo”. Todd Rose, Parisa Rouhani and Kurt W. Fisher (2013), The Science of the Individual – Mind, Brain and Education: PDF
  • Abandonar o Mito da Performance Académica e deixando margem para o imprevisível, o inavaliável, a irrupção da singularidade!…
  • Desmistificar o problema do comando, das atitudes rígidas, da execução perfeita, da disciplina técnica e espetacular para nos projetarmos no desenvolvimento da interioridade humana.
  • A atual educação teme os baldios neuronais e procura nas neurociências o apoio para fundamentar esta empreitada educativa inundando o cérebro das crianças com estímulos cognitivos para rentabilizar o “Capital Intelectual”.
  • Abandonar o Mito da Avaliação Externa.
  • Reintroduzir a Psicomotricidade e a Educação Somática como áreas fundamentais na formação dos professores de Educação Física.

 

APRESENTACAO 11 CNEF-015-015


Psicomotricidade, Literacia e Numeracia


A Variável Esquecida na Equação da Educação Física:

Vítor da Fonseca (1986), “Temas de psicomotricidade – a criança dispráxica”, refere que é o cerebelo que tem como função manter o corpo na sua função de equilíbrio, sejam quais forem as forças que nele se exerçam, é aquilo a que se chama a função tónica do músculo. Toda a dinâmica de estabilização do corpo depende do cerebelo o qual permite a fluidez e equilíbrio dinâmico do corpo. (…) A destreza progressiva da criança estaria ligada à maturação gradual das conexões que de nível a nível subordinam os centros nervosos entre si.

Vítor da Fonseca coloca os problemas psicomotores na origem das desordens da palavra, dos problemas de aprendizagem da leitura, dos problemas da escrita, da disortografia. As tensões ansiosas comportam quadros de hiperactividade crónica, hipertensão muscular e estupor hipotónico. (…) A coordenação interna dos esquemas não é mais do que o produto de assimilações cumulativas em vários estádios que desaguam nas relações entre as praxias sensório-motoras e a inteligência. (…) Esta inteligência não é senão a própria coordenação das acções. (…) É a partir das praxias sensório-motoras que se esboçam as substruturas dos conhecimentos ulteriores. Os problemas de aprendizagem acontecem a nível da primeira unidade funcional, no tónus que tem a ver com uma integridade da substância reticulada e das funções dos sistemas subtalâmicos, bem como o cerebelo, que constitui o centro superior das estratégias motoras. As crianças com dificuldades de aprendizagem têm um diálogo tónico, sinergias onerosas e uma concentração de rigidez tónica em muitos pontos do seu corpo e nas articulações distais. Estas crianças não viveram um diálogo tónico (afectos, carinho, amor dos pais), comprometendo a sua aprendizagem. Por isso têm tremores, alguns movimentos impulsivos, muitos movimentos não reflexivos, daí a sua tendência em entornar, a rasgar coisas, desinibir movimentos, apresentar uma escrita trémula e muito hesitante, etc., podendo, evidentemente, traduzir alguns problemas na área tónica, e daí ser recomendável para essas crianças, trabalhar em relaxação, mesmo na sala de aula.

Vítor da Fonseca (1986), refere que através de um factor psicomotor, o papel da organização da primeira unidade funcional, que é a unidade, de facto, da substância reticulada por onde passam todas as informações que vão da periferia ao cérebro, logo, a integração dessa substância é fundamental porque tem a ver com as aquisições mais necessárias e mais vitais da evolução da humanidade.

Formação Reticular:

É a rede de circuitos principal, interruptor do cérebro onde todas as ondas são originadas. Esta unidade funcional assume outra função muito importante que é o equilíbrio e a postura. (…) Muitos dos sinais e problemas de atenção, de hiperactividade e de desorganização da informação, têm a ver com este sistema, realmente vital, uma vez que é o sistema vestibular que integra as informações da gravidade e que está em permanente actividade para organizar a postura adequada e disponível. (…) As crianças que apresentam uma má integração vestibular, poderão ter problemas de atenção e problemas de hiperactividade.

Vítor da Fonseca (1986), alerta também para o problema crescente da nossa sociedade que “está a roubar o espaço da criança, em casa (questões sócio-económicas) e na rua. Os parques não existem em quantidade suficiente, os recreios das escolas perdem expressão ou são sintéticos e/ou asfaltados (sem árvores). Impera uma crescente redução da experiência motora essencial, e a privação das condições normais de desenvolvimento da motricidade, que são o alicerce da psicolinguística”.

multinteligencias-e-educacao-fisica

A palavra vive uma dimensão corporal, depois espacial e posteriormente temporal que, conjuntamente, traduzem o equilíbrio harmonioso da comunicação”, afirma Vitor da Fonseca (1981). Sem dúvida que “a carência afectiva está na base das actividades instrumentais da criança e é a prática mais assinalável da escola actual. Pelo facto de se considerar a criança uma coisa e pela insuficiente preparação dos professores, os problemas da aprendizagens escolares básicas ainda não deram conveniente importância a uma educação psicomotora considerada nos seus múltiplos aspectos epistemológicos”, Vítor da Fonseca (1981).

Atualmente, não só a carência afetiva mas também a carência de atividade livre (Brincar). O cérebro e a motricidade estão em constante interação desde o nascimento até à morte, e essa interação é fundamentalmente processada através de um constante diálogo entre o centro e a periferia, existindo entre eles um continente que, é, de facto, o corpo, corpo este que tem de ser organizado. Nascemos com uma relação inconclusa entre corpo e cérebro que não tem vias de comunicação, nem de interação. É o desenvolvimento da motricidade que vai proporcionar essa comunicação estreita entre o centro e a periferia. Uma vez conquistada essa interação integrativa do corpo e do cérebro, vão surgir novas propriedades, novas capacidades, novas funções de aprendizagem e de relação com o outro e, por conseguinte, de apropriação sócio-histórica.

Antes de pegar num lápis, a criança já deve ter em termos históricos, uma grande utilização da sua mão em contacto com inúmeros objectos. É mais aceitável que a criança melhore o conhecimento que tem do seu corpo, que se saiba orientar no espaço e que saiba reconhecer as relações dos objectos que manipula, antes de aprender a reconhecer um d de um b, em que existem relações nocionais verticais e horizontais, esquerdas e direitas.

psicomotricidade psicolinguistica

Vitor da Fonseca (1981) “Contributo para o estudo da génese da psicomotricidade”; 3.º Edição; Editorial Notícias

As aprendizagens escolares exigem uma vivência do corpo nos seus três aspectos fundamentais:

  • Corpo vivido;
  • Corpo percebido;
  • Corpo representado.

Vítor da Fonseca (1981) afirma que “a exploração do corpo é uma verdadeira propedêutica das aprendizagens escolares, e constitui um aspecto preventivo a considerar. A leitura, o ditado, a redacção, a cópia, as contas, a música, o movimento são sempre pontos de expressão acompanhadas pelo corpo. Provocar solidariedade profunda entre o movimento e o pensamento, isto é, o movimento abre-se em pensamento e o pensamento traduz-se em movimento, segundo as necessidades e as exigências da acção, sem a qual é possível estabelecer o ponto de passagem de um para o outro. A motilidade que precede, na espécie e no indivíduo, o aparecimento da inteligência, reveste-se das mesmas características que comportam os processos intelectuais: a memória, a imaginação, a iniciativa, as associações complexas e as adaptações precisas. Muitos dos mecanismos de defesa da criança, como compensações, camuflagens, refúgios, manifestações caracteriais, são expressão de uma motricidade que não foi satisfeita, reprimida por um envolvimento extremamente correccionista para com a criança. A motilidade é indissociável do tónus e das manifestações emotivas, como sejam a timidez, a inibição, a agressividade, a instabilidade, os tiques, a gaguez, a hiperactividade, etc., com origem central na maturação do sistema nervoso central, condicionada pelas desordens da lateralidade. A motilidade, também se encontra implicada com as manifestações caracteriais: a passividade, a inatenção, a fabulação excessiva, o refúgio no sonho, o interesse exclusivo por certos jogos, a falta de habilidade, a rigidez, etc. Nenhuma teoria terá sucesso se apenas se basear nas estratégias de remediação, nos reforços de aprendizagem cognitivos (mais do mesmo), porque a dimensão do problema acontece na desarticulação da mente com o corpo.

Encontramo-nos num mundo, onde impera o diploma, factor gerador de prestígio social, ao qual a família deposita grande importância. A família, a sociedade e o estado vivem o falhanço escolar como um registo de culpabilidade e ansiedade, que em nada é favorável ao desenvolvimento da criança. A escola, a família, a sociedade e o sistema educativo dramatizam o erro escolar de uma forma humilhante para a criança e para os professores. A leitura é a primeira barragem segregacionista oficial”.

Estamos perante, não de uma doença do século, mas perante uma adulteração de valores e perspectivas sócio-culturais e sócio-escolares que promovem e acentuam as dificuldades de aprendizagem. As crianças adoram que nos tornemos autênticos e, as camadas fibrosas dos tendões culturais inflamados que nos envolvem, perderam a sua elasticidade e cristalizaram, bloqueando os nossos movimentos e a nossa liberdade.

A carência de afecto inerente a uma erosão do núcleo familiar está a comprometer as bases da aprendizagem na medida que, segundo Vitor da Fonseca (1981), a aprendizagem se processa no sentido da psicomotricidade (Relação emocional e motora – anatomia emocional, Stanley Keleman, 1992) para a psicolinguística.

Mary L. Bolles (1996), “Light Years Ahead” é especialista em “Terapia ocular com luz a nível das perturbações de aprendizagem”, especialista no treino de “aprendizagem acelerada de todo o cérebro”, “integração sensorial”, “melhoria natural da visão” e “treino auditório integrado”. “Verificou de forma mais consistente nos clientes de todas as idades depois do tratamento de luz som e movimento, uma diminuição do medo. O medo pode ser na verdade o problema de aprendizagem. O medo provoca uma quebra nas ligações entre os vários centros nervosos. Assim, a maior alteração que testemunhou na maioria das pessoas, depois da terapia de tratamento de luz, foi uma diminuição do medo e um aumento da sensação de paz na pessoa”, afirma Mary L. Bolles.


Consequências do Medo


Dificuldades na Matemática:

2 sigma palyformance

  • Benjamin S. Bloom. The 2 Sigma Problem: the search for methods of group instruction as effective as One-to-One Tutoring.: PDF
  • Andrew Hacker afirma ainda que não existe uma forma mais eficaz de matar o entusiasmo e o interesse num indivíduo do que tornar esses conteúdos obrigatórios no currículo educativo.
  • Densidade dos programas e desrespeito do ritmo de cada aluno. Procura-se ensinar muitos alunos como se fossem um só desrespeitando-se o ritmo de assimilação dos conteúdos abstratos.
  • O que é que diz Laura Erlauder (2005), no seu livro “Práticas Pedagógicas compatíveis com o cérebro”, página: 85: Quando os professores se sentem pressionados com o tempo, tendem a cortar frequentemente o que muitas vezes se chama de extra, ou palha para poderem chegar ao básico. A parte perigosa desta prática é que a palha pode ser constituída, na realidade, por experiências de aprendizagem como a reflexão, o enriquecimento, procura de padrões, debate aprofundado, partilha com os pares, construção de projetos e comparação.
  • A criação de uma linguagem própria na matemática acontece, não apenas para explicar fenómenos da natureza, mas também para resolver toda um conjunto de problemas, os quais nem sempre são tangíveis, por se originarem na mente humana de uma maneira totalmente abstracta. Os conceitos matemáticos, por vezes não estão ligados à vivência sócio-cultural dos alunos. Os manuais escolares e a linguagem do professor são elementos mediadores entre o aluno e o objecto de conhecimento e como tal, quais os adjetivos, advérbios e verbos, adequados aos alunos que pensam em termos visuais, auditivos e cinestésicos, que podem facilitar a visualização e integração dos conteúdos?
  • Pirâmide da aprendizagem e os métodos ativos de ensino: quando pensamos na taxa média de retenção de um conteúdo ou o domínio de uma competência, esta fica facilitada quando os alunos discutem em grupo (colaboração), realizam pela prática ou ensinam os pares.
  • Inundar o cérebro de um aluno com demasiada informação, ou um teste escrito ativam respostas de ameaça do cérebro. Ao criar objetivos que excedem a ambição individual de cada um dos alunos, criam-se expectativas muito elevadas, acentuando o medo de falhar inerente à “neurose da expectação“, sobretudo por estarem sistematicamente a serem avaliadas, julgadas e rotuladas. resposta de ameaçaOs vários domínios da experiência social gravitam em torno das mesmas redes cerebrais utilizadas pelas necessidades primárias de sobrevivência. Ou seja, as necessidades sociais são ameaçadas da mesma forma, no cérebro, como a necessidade de água e alimento. Como muitos dos nossos comportamentos sociais são motivados por um princípio de organização social e comportamental que visa minimizar a ameaça e maximizar a recompensa, a dificuldade em acompanhar o ritmo do fluxo de informação debitado pelo professor ou o insucesso num teste tornam-se em ameaças percebidas e o aluno rejeita como mecanismo de defesa ou torna-se agressivo.

aproximacao ou afastamento cerebro

O medo, ansiedade e emoções incoerentes, vividas pelos alunos, somatizam-se sobre a forma de couraças musculares (tónus muscular), podendo muitas vezes condensar-se em problemas de saúde. (Descarregue o livro de Edmund Jacobson, “You must relax”PDF). Todo o conflito suscita uma reação muscular de defesa. A estratificação emocional do organismo pode ser comparada aos anéis de uma árvore, cada um deles revelando uma idade e uma experiência (“Educação Somática“).

SCARF medos

Escolas Promotoras da Doença (EPD)

Quais são os medos dos Professores?

Segundo Luísa Cristina Fernandes no seu livro Os medos dos professores e só deles, enumera um conjunto de medos:

  1. Medo que o salário não me permita satisfazer as minhas necessidades pessoais e familiares – Segurança.
  2. Medo de não ser capaz de lidar com a desmotivação escolar dos alunos.
  3. Medo de ter alunos violentos.
  4. Medo de vir a dar aulas muito longe de casa.
  5. Medo de não saber lidar com alunos violentos.
  6. Medo de vir a ter algum esgotamento derivado da profissão.
  7. Medo de me vir a ser atribuido um horário zero.

Na contracapa vem a seguinte afirmação feita pelo Dr. Mário Simões (psiquiatra): como psiquiatra, vim a verificar, que os professores (…) são uma das profissões mais representadas no meu ficheiro (…). Que se passa então com esta classe profisisonal para que em tão grande número busque ajuda junto dos profisisonais de saúde mental? Que medos surgiram no decurso da profissão, que não existiam antes? Qual a sua raiz?.

Temos que reequacionar os objetivos e prioridades da educação porque este modelo está a criar enormes pressões em todos os atores do sistema educativo e a provocar uma erosão da alma humana (Burnout)!

  • Naomi I. Eisenberger, Mattew D. Lieberman, Kipling D. William (2003); “Does Rejection Hurt? An fMRI Study of Social Exclusion”; Science; Vol. 302, 10 october 2003; pp. 290-292. PDF
  • David Rock (2008); “SCARF: a brain-based model for collaboration with and influencing others”; NeuroLeadership Journal, Issue 1; pp. 1-9. PDF
  • David Rock (2009); “managing with the brain in Mind”; Oxford leadership Journal; december 2009; Vol. 1; Issue 1; pp. 1-10. PDF
  • David Rock (2012); “ SCARF: in 2012: updating the social neuroscience of collaborating with others”; Neuroleadership ournal; Issue 4; pp. 1-14. PDF

APRESENTACAO 11 CNEF 2-016-016

  • Marcia Strazzaxappa. Educação Somática: seus princípios e possíveis desdobramentos: PDF
  • Débora Pereira Bolsanello. A Educação Somática e os conceitos de descondicionamento gestual, autenticidade somática e tecnologia interna. Motrivivência ano XXIII, nº 36, pp.306-322, jun 2011: PDF
  • Ler Artigo: Educação Somática.
  • Vítor da Fonseca (1987), afirma ainda que se torna necessário desmistificar o problema do comando, das atitudes rígidas, da execução perfeita, da disciplina técnica e espetacular para nos projetarmos no desenvolvimento da interioridade humana, facilitando-lhe todos os meios de expressão e de simbolização, bem como todas as formas pessoais de pensamento e conhecimento.
  • Jean LeBoulche refere que a atividade de expressão pessoal não pode ser ensinada. A criança e o adolescente têm direito a praticar a sua expressão pessoal, deixando assim emergir a singularidade do seu sentir, da sua interioridade, para o seu equilíbrio emocional.
  • Todd Rose (2013) afirma que nós ainda projetamos os nossos ambientes de aprendizagem (…) para o aluno médio. Nós designamos esta estratégia de adequada à idade (Idades Sensíveis) e achamos que é suficientemente boa para os alunos, mas não é! Se desenhamos um ambiente de aprendizagem para a média, fazemo-lo para ninguém! O nosso argumento é que os indivíduos se comportam, aprendem e se desenvolvem de formas muito distintas, mostrando padrões de variabilidade individual que não são capturados pelos modelos que se baseiam nas médias estatísticas. A ciência do grupo é um pobre substituto para uma verdadeira ciência do individual! Todd Rose, Parisa Rouhani and Kurt W. Fisher (2013), “The Science of the Individual”; Mind, Brain and Education: PDF
  • O filósofo Português, José Gil, afirma que só existe invenção, inovação, produção criativa deixando margem para o imprevisível, o inavaliável, a irrupção da singularidade!…

educacao somatica


Bibliografia:

  1. Andrew Hacker (2016) The Math Myth and other STEM delusions. The New presds.
  2. Barry Scwartz and Kenneth Sharpe (2010) Practical Wisdom – the right way to do the right thing. Riverhead Books.
  3. Ben Dyson and Ashley Casey (2016) Cooperative Learning in Physical Education and Physical Activity – A practical Introduction. Routledge.
  4. David Rock (2009) Your Brain at Work. Harper Business.
  5. Enrique Gracián (2010) Os números Primos um longo caminho para o infinito. O Mundo é matemático. RBA.
  6. Eric Jensen (2002) O cérebro, a bioquímica e as aprendizagens – um guia para os pais e educadores. Edições ASA.
  7. Fernando Corbalán (2010) A proporção áurea – a linguagem matemática da beleza. Coleção O mundo é matemático. RBA.
  8. IAVE (2018) Portugal Relatório Nacional PISA. Ministério da Educação.
  9. John J. Ratey. (2008) Spark the revolutionary new science of exercise and the brain. Little Brown and Company. Hachette Book Group.
  10. Laura Erlauder (2003) Práticas Pedagógicas compatíveis com o cérebro. Edições ASA.
  11. Luísa Cristina Fernandes (2008) Os medos dos professores… e só deles? Setecaminhos.
  12. Manuel Sérgio (1989) Motricidade Humana uma nova ciência do homem. UTL-ISEF.
  13. Paula Batista, Lúcia Rego e Avelino Azevedo (2002) Em movimento Educação Física Guia Prático livro do professor. Edições ASA.
  14. Paula Romão e Silvina Pais (2004) Práticas Desportivas e recreativas. Porto Editora.
  15. Ricardo Ribeiro (2011) Jogos Cooperativos em Educação Física Um estudo de caso. Universidade Lusófona de HUmaidades e Tecnologias.
  16. Todd Rose, Parisa Rouhani and Kurt W. Fisher (2013), “The Science of the Individual”; Mind, Brain and Education.
  17. Todd Rose (2016) The End of Average – How we succeed in a world that values sameness. Harper One.
  18. UNESCO (2015) Directrizes em Educação Física de  Qualidade. UNESCO Publishing.
  19. Vitor da Fonseca (1986) Temas de psicomotricidade 3 – a criança dispráxica. UTL-ISEF